Ecobairro

Ecobairro, nossa essência

Todos sabemos serem necessárias mudanças profundas do ponto de vista social, econômico e ecológico para que o planeta seja um lugar melhor, mais humano e pacífico. A visão de mundo que orienta o curso da humanidade deve ser transformada pela consciência da finitude dos recursos e da noção de que tudo está interligado – como um único organismo.

Olhando esse para essa realidade e, com a inspiração das Ecovilas, de que um futuro sustentável é possível, nasce o projeto Ecobairro, hoje denominado Programa Permanente Ecobairro.

O projeto nasceu da idéia de levar para o ambiente urbano os princípios praticados nas ecovilas, um movimento que já está presente em cerca de 15.000 localidades em todo o mundo.

Observou-se que se aproveitasse a vivência das Ecovilas e as levassem para áreas urbanas, poder-se-iam encontrar caminhos para a transformação das cidades. Essas experiências bem sucedidas podem multiplicar-se num movimento exponencial sem fronteiras, e a Terra se transformar numa grande Ecovila Cósmica.

Por que Ecobairro?

O bairro é a porção menor de uma cidade, contém a semente da comunidade e uma história cultural.  Quando usamos a palavra ECO remete-nos à relação entre os seres vivos e o meio ambiente, ou seja, a Casa, ao local de morada dos indivíduos-família. Numa ampliação de sentido, por sua vez, do indivíduo à família e, finalmente, à comunidade – uma escala urbana possível de ser reconhecida e transformada.

O Programa Permanente Ecobairro participa de vários Movimentos e iniciativas de forma direta e indireta e que tenham objetivos semelhantes. Em 2009, houve a oportunidade de conhecer, in locum, o Movimento Cidades em Transição, que nasceu originado em Totnes na Inglaterra. Este Movimento atua na redução da Pegada de Carbono para aliviar o aquecimento global e ações em relação ao pico do petróleo.

No Brasil, o Programa Permanente Ecobairro colaborou de forma ativa em várias frentes: co-fundação da UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz – iniciativa da Secretaria Municipal de São Paulo do Verde e do Meio Ambiente. Trouxe também, para esta Universidade, o curso Educação Gaia em 2006 (capacitação em Design de Sustentabilidade – Ecovillage Design Education) com um currículo que colabora para a Década Internacional das Nações Unidas, visando uma Educação em Desenvolvimento Sustentável (2005-2014). Juntou-se a nós, o Projeto Ecovila São Paulo, para fazer parte da organização dessa iniciativa. Atualmente, a Educação Gaia faz parte do curso de formação da UMAPAZ.

Na mesma época, o Programa Ecobairro foi divulgado através do site e, pessoas de diversas cidades do Brasil manifestaram apoio com a intenção de tornarem-se voluntários e parceiros por sentirem que a proposta é necessária para a sustentabilidade urbana.

Como ponto focal do Programa Ecobairro foi construído coletivamente, retrato de nossas aspirações, com sua expressão nos termos da Missão e Visão, bem como através da Carta de Princípios, representando nossa cola e “chão comum” para trabalhar para a sustentabilidade no ambiente urbano.

Missão Alicerçados nos princípios da Cultura de Paz, da Educação para o Desenvolvimento Sustentável e inspirados nas experiências das Ecovilas, vamos semear nos bairros da cidade experiências vivas de sustentabilidade. As mudanças de consciência devem atingir os indivíduos, sua casa, seu bairro, sua cidade e o Planeta. Compartilhando nossa Visão de Mundo e Princípios  resgataremos uma vida em comunidade no bairro, fortalecendo o vínculo afetivo com o lugar e despertando o cuidado entre todos os seres.
Visão Em nosso meio urbano, surgem bairros sustentáveis, como fruto natural da consolidação do exercício da vida em comunidade, que cuidam de todos os seres, do meio ambiente e do Planeta. Formam-se assim, redes de cooperação onde a criatividade, harmonia e diversidade, inspiram nossas ações, num movimento contínuo de reconciliação, em que antigos saberes dão as mãos às mais novas descobertas científicas, apoiando a sustentação da vida.

Fonte: http://www.ecobairro.org.br

O objetivo maior é resgatar o bem-estar e o vínculo com o lugar em que se mora na cidade.

Diz a sabedoria popular que “quem ama, cuida”. Se as pessoas não conhecem o bairro ou mesmo a sua rua, como poderão cuidar deles? Da mesma forma, se não se sabe quem são os vizinhos, como poderão pensar em soluções criativas para problemas que afetam a todos?

Por isso, uma das intenções do Ecobairro é a de formar agentes locais, capazes de construir seus próprios caminhos com autonomia, buscando o consenso nas decisões coletivas.

O Programa Ecobairro propõe-se a apoiar os moradores, ajudando-os a encontrar maneiras de praticar a sustentabilidade dentro e fora de suas casas. Afinal, o Planeta é a nossa Casa.

Como objetivos principais, têm-se as seguintes premissas:

  • Identificar e articular diferentes atores sociais do bairro, estimulando-os em direção à cooperação e a sustentabilidade;
  • Identificar, com a comunidade, medidas que ajudarão a caminhar para a sustentabilidade, gerenciando (em conjunto) sua implementação;
  • Divulgar as experiências para fomentar outros locais;
  • Estabelecer parcerias que fortaleçam os três itens anteriores.

Sob o ponto de vista institucional, o Ecobairro é um Programa Permanente ligado ao Instituto Roerich da Paz e Cultura do Brasil (www.roerich.org.br), uma organização não-governamental, sem fins lucrativos que tem por objetivo a promoção da paz e cultura através da arte e educação, para proteção, promoção e preservação dos tesouros culturais e naturais.

No Estado de São Paulo, o Programa Ecobairro está sob a responsabilidade da Associação Urusvati Mantenedora, organização que o Instituto Roerich da Paz e Cultura do Brasil nomeou como gestora do Programa. Além das considerações institucionais, esta iniciativa, tem o compromisso de tecer uma integração institucional com outras iniciativas e programas no âmbito publico, privado e de organizações não-governamentais, como uma das atribuições principais do núcleo de Política.

A proposta educacional é atuar nas várias escalas: do indivíduo, sua casa, quarteirão, no bairro e em rede, até alcançar a cidade e o Planeta. Esses princípios e escalas são os esteios da atuação desta iniciativa e vem operando através de uma estrutura que conta com Coordenadores, Conselheiras e Nucleadores de cada nível de sustentabilidade que, ao desenvolver o trabalho, tem a missão de identificar os Nucleadores do bairro, também, em cada nível de sustentabilidade.

Para avaliar o nível de sustentabilidade de uma comunidade ou Ecovila, os ecovileiros desenharam um questionário, fruto de sua aplicação e experimentação prática, para que as comunidades em processo de implantação dos princípios de sustentabilidade pudessem aferir seu grau de sucesso e mapear o que precisa ser trabalhado para alcançar os níveis de sustentabilidade, dentro da visão das Ecovilas. Dentro dessa perspectiva, o que são ecovilas?

Ecovilas são comunidades sustentáveis que procuram respeitar o lugar em que vivem e criar condições de suprir as necessidades individuais e da sociedade, sem destruir mais do que o Planeta pode lhes oferecer, em termos ambientais. Segundo Dawson, 2006, “uma ecovila tem sido definida como um assentamento em escala humana, inofensivamente integrado ao mundo natural de forma que suporte a saúde humana e podendo continuar bem-sucedidamente num futuro indefinido. Em outras palavras: uma comunidade sustentável, cheia de paz, socialmente justa”.

As ecovilas dão alta prioridade a: produção local de alimentos, construções ecológicas, sistemas de energias renováveis, economia solidária, processos participativos de tomada de decisões, diversidade cultural e espiritual, visão sistêmica para cuidar da saúde, comunicação adequada e educação transdisciplinar.

Nas áreas rurais, muitas dessas metas são até mais simples do que parecem porque é possível planejá-las e criar condições adequadas para seu desenvolvimento. Mas como falar em produção local de alimentos nas grandes cidades? Como utilizar energias renováveis em seu apartamento? Como criar um sentimento de comunidade em um ambiente onde vivem milhões de pessoas?

Pensar a cidade e os bairros, lugares bastante insustentáveis do Planeta, muitas vezes fez necessário buscar os pensadores que já propuseram soluções para essa problemática e que possuem uma visão de como seria a sustentabilidade nessas áreas.

Então, Girardet (1999), Hopkins (2007), Roger (1997), Register (2006), Ruano (1999), Barton (2000), Holmgreen (2002), Andrade (2005), Sattler (2009), foram alguns nomes em que nos apoiamos. Mais que o arcabouço conceitual desses autores, o que mais interessou neste caso, foram as experiências de iniciativas públicas, privadas e outras de caráter voluntário que visam soluções sustentáveis para ocupação mais sustentável de vazios ou porções ainda verdes da cidade, experiências de recuperação de áreas degradadas, além de experimentos de renovação de áreas urbanas existentes.

Para falar de sustentabilidade no eixo urbano, também, buscou-se estudar as experiências de sucesso que podem inspirar a transformação da cidade e bairro viabilizando caminhos rumo à sustentabilidade. Nesse sentido, foram pesquisadas experiências concretas, como o caso das 15.000 ecovilas ao redor do mundo que praticam a sustentabilidade em sua forma mais profunda: observando, desenhando, aplicando, avaliando, e repensando, num processo continuo de transformação.

Para que o processo de transformação se acelere, é válida a contribuição de movimentos emergentes, como os internacionais: o ICLEI, as agendas das Nações Unidas, os experimentos da Rede Global das Ecovilas – GEN, o movimento Transition Towns com foco totalmente urbano; e os movimentos nacionais como: Nossa São Paulo, FIB, Agenda 21, são contribuições importantes para que se alcance, no menor tempo possível, a tão sonhada e necessária sustentabilidade.

Porém, cada um tem um aspecto a ser complementado para que sua atuação seja efetiva, nesse sentido para contribuir com um ambiente urbano mais saudável e permeado pela sustentabilidade, tem-se que transformar as cidades e bairros em Ecobairros em todas as suas dimensões: relacionada à saúde, as formas de educação, na relação com a cultura do lugar, na economia local e global, em todas as maneiras de comunicação, estabelecendo relações profundas de convivência e política, percebendo que tudo está conectado e deve ser cuidado como sagrado, até sua base física e os aspectos ecológicos que habitam nela. Além disso, deve-se considerar que as transformações ocorrem dos indivíduos, na sua casa, no seu quarteirão, no seu bairro, alcançando, assim, a cidade.

Os movimentos podem coexistir em paralelo e se adicionarem, podem gerar transformações na forma urbana como expressão da mudança interna de paradigma, mas é fundamental a compreensão que são os moradores de cidades engajados que sustentam esse processo ao longo do tempo.

Como  tudo começou…

Após o treinamento em Ecovilas, Lara Freitas e Paullo Santos, abril de 2004, em Picada Café – RS, entenderam que a experiência das ecovilas poderia ter trazida para o eixo urbano.

Em 15/08/04, o Instituto Roerich da Paz e Cultura do Brasil, realizou em sua sede na Casa Urusvati, uma palestra com a May East sobre a “Re-emergência do Princípio Feminino na Psique da Humanidade” e, após o encontro, Paullo Santos teve a inspiração de criar o Ecobairro, a partir disso, começaram os trabalhos para elaborar o projeto, sendo a primeiro encontro em 18/08/04.

Depois de feito os amadurecimentos necessários, foram incorporados ao Projeto, novos colaboradores – os Nucleadores – que, em maio de 2005, deram maior força, ampliação e consolidação aos objetivos iniciais.

Em 17/09/05 houve, na sede na Casa Urusvati, o lançamento das propostas do Projeto-Mãe do Ecobairro

Recebemos, em 20/09/05, o apoio institucional das Nações Unidas em função do projeto estar dentro das metas das Décadas Internacionais de Cultura de Paz e de Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

No evento GEN+10, em outubro/2005, na Ecovila Findhorn/Escócia – UK, apresentamos o Projeto para a comunidade participante, e, também, nos foi apresentado o curriculum com o conteúdo para capacitações em Ecovillage Design Education – EDE, fruto da experiência de 23 educadores e designers de sustentabilidade procedentes de várias partes do mundo.

A partir de então, o histórico de ações realizadas pelo Ecobairro cresce a cada ano.
Completamos 08 anos de vida em 2012 e sentimos que esta caminhada está apenas começando.
Com o projeto Sementes para um Bairro Sustentável, temos a oportunidade de diálogo mais direto e pontual com a comunidade da grande Vila Mariana e sabemos que a partir desta oportunidade, frutos e flores serão a sequência natural da semeadura de amor e paz a que esta semente se faz em ação.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s